segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bebedores de sangue de virgens?

Ao chegar em Neve Morta, era parceptível a todos que as notícias não eram exagero, como, aliás, costumeiramente são essas notícias que se ouvem na estrada. Neve Morta realmente era uma vila cercada por garimpeiros barulhentos e sujos, que pareciam não ter apego à cidade que os acolheu tão bem.
Ao adentrar pelos portões da muralha exterior, era facilmente perceptível perceber que a cidade estava produzindo mais sujeira e baderna do que podiam lidar as autoridades locais. Mas, mesmo com todos esses reveses, ainda era uma cidade aconchegante.
Cansados de viagem e famintos por um pouco de comida e descanso, foram até uma estalagem, "A Rosa e o Martelo", que ficava do lado de uma grande torre de vigia. Lugar acolhedor e confortável, com bom atendimento e boa comida, e com preço condizente com a superpopulação local.
Enquanto aproveitavam o pouco tempo de paz e quietude que teriam até o retorno dos garimpeiros à cidade (o que acontecia todos os dias um pouco depois do pôr do sol), um homem de meia idade, armado com espada e besta e trajando uma cota de malha muito bem polida afixou um cartaz num mural logo ao lado da porta de entrada, com os seguintes dizeres:

"A todos que se julguem bravos:

Por palavra da Senhora Lança de Gelo, regente e governante de Neve Morta, convocamos todas as pessoas de bom coração e boa índole para investigar os ataques aos carregamentos vindos das fazendas externas à muralha da cidade e trazer os responsáveis à justiça para que sejam devidamente punidos de acordo com as leis e costumes de Neve Morta.

Todos que se julgarem aptos a realizar tal feito devem dirigir-se à sede da Guarda de Neve Morta, e identificarem-se ao Capitão Mannock."

Para um grupo de aventureiros que quer ajudar as pessoas e provar seu valor ao mundo, essa seria, certamente, um bom ponto de partida. Pensando assim, decidiram sair pela cidade para procurar por mais informações sobre o que estava acontecendo com os fazendeiros e sua carga. Apenas Soveliss e Arkus decidiram ficar na estalagem, para providenciar quartos para todos.
Em suas andanças pela cidade de Neve Morta, entre conversas com donos de lojas, transeuntes, guardas, mendigos e bêbados pelas ruas, eis o que lhes foi revelado:

* Realmente existe algo que está atacando as carroças que trazem suprimentos das fazendas até a cidade. Os rumores sobre os responsáveis variam desde bandoleiros ou orcs até monstros poderosos que tem dragões sob seu comando.

* Há mais ou menos 3 dezenas, um grupo de valorosos aventureiros esteve em Neve Morta e ajudou os fazendeiros a livrarem-se de wyverns que estavam atacando o gado. Rumores dizem que eram dragões, e não wyverns. Outros rumores dizem que esses dragões voltaram e estão atacando as caravanas em busca de vingança.

* A Vila da Neve (nome dado pelos locais ao "bairro" formado no exterior das muralhas pelos garimpeiros recém-chegados) é um local muito perigoso ao cair da noite, pois conforme o ouro demora de aparecer para alguns, o caráter se esvai junto com a esperança. Além disso, nem todos que vêm para Neve Morta e se instalam na Vila da Neve o fazem para garimpar no rio.

* Há aproximadamente uma dezena, garotas jovens começaram a desaparecer da vila. Mannock e seus guardas não estão fazendo nenhum esforço para tentar desvendar o motivo. Mas todos sabem que são tieflings cultistas de algum deus maligno ou demoníaco que as seqüestram para beber seu sangue puro e imaculado.

* Os mesmos aventureiros que salvaram o gado dos fazendeiros também enfrentaram cultistas de Shar em uma velha mina abandonada, mas não devem ter feito seu serviço direito, pois esses cultistas que retornaram são os verdadeiros responsáveis pelos desaparecimentos.

Após seu passeio, decidem verificar o que tanto se fala acerca da Vila da Neve, retornam à Rosa e o Martelo para chamar seus companheiros e vão investigar a tão mal falada vila, que não mede esforços para provar que os boatos não são só boatos.
Barracas e casebres improvisados se aglomeram, deixando apenas passagens estreitas para trânsito, e também para esconder aquilo que não se deseja mostrar, ou que seja visto por olhos curiosos. Bêbados e prostitutas se misturam em poucos pontos iluminados, sobre mesas e balcões regaods à cerveja, saudosismo de casa e medo do fracasso. Enquanto isso, figuras sinistras transitam pelas vielas e becos com olhos atentos e adagas afiadas. A tensão do perigo paira no ar, a iminência do embate pode ser vista atrás de cada esquina, até que, eventualmente, mais que apenas sensações se fazem ver e ouvir.

" Passem logo o dinheiro e os bens valiosos. Eu não quero desperdiçar meu tempo com vocês. Andem logo, o que estão esperando?"

"Hahahahahahaha! Parece que a justiça será feita hoje!", responde Galdir Stillsquare, preparando seu escudo e martelo para o combate iminente.

Os rufiões, dois homens com armaduras metálicas e alabardas, acompanhado de um brutamontes com um machado imenso e dois magos posicionados ons telhados se mostraram mais do que apenas bandidos de rua, e uma terrível batalha foi travada em meio aos casebres de madeira, mas, como proferiu Galdir antes do confronto começar, a justiça foi feita.
Exaustos e feridos, decidem retornar à estalagem para dormir e se preparar para a nova aventura que os espera no dia seguinte: investigar os ataques às caravanas de fazendeiros.

Um comentário:

Malena Mordekai disse...

Stillsquare pode ser um incômodo às vezes, especialmente para nosso companheiro Kamil, o pequenino (nunca ouço tantas advertências quanto quando estão juntos)... mas considero-o um dos esteios vivos de nosso grupo sem nome.

Uma pena que ele quase morreu ao ser atingido pelos assaltantes, ao tentar proteger nossa pele e baixar a guarda para um dos alabardeiros. Que minha maldição fatal acompanhe a alma desse alabardeiro já falecido!

Porém a tenacidade do anão provou-se maior que o destino imposto pelo acaso mutável, e as boas estrelas, tão deterministas quanto convém-nos serem, auxiliaram-nos nesse ponto.

Neve Pobre está se mostrando hostil, porém cheia de oportunidades adiante, que vislumbramos justamente á luz das estrelas. Creio eu que o destino nos reserva árduos confrontos, e que apesar de precisar que enfrentar vampiros demoníacos seja algo ainda além de nossos limites (veja o que fizeram um grupinho sórdido de cinco vilões; além de Galdir, Balazar, nosso miliarista escamoso, chegou a ser derrubado várias vezes. Se os dois mais capacitados em termos de força bruta e estratégia caíram, temo pelo futuro)... sinto que As Forças Que Estão Além nos colocarão diante destes apreciadores de sangue de virgem.

Eu prefiro um bom vinho.

Por falar nisso, as moedas guardadas pelos pretensos assaltantes valerão para no mínimo um bom gole...